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                                        find MADELEINE !!!!!

Confirmation arrived this evening that we are to attend the Vatican and a service with The Pope. It is likely we will be seated in the front row and may have an opportunity to speak with the Holy Father and ask for prayers for Madeleine. This is a hugely important visit both personally,for Kate and I, but also for the wider campaign to publicise Madeleine’s disappearance. The trip has been facilitated through Cardinal Cormac Murphy-O’Connor and we will be receiving assistance from the British Embassy whilst in Rome. On this occasion because of the short notice and the relatively early time of the service we have accepted the kind offer of the use of Sir Philip Green’s personal jet,  which will help get us home quickly after our Papal visit to see the twins before their bedtime. We will be accompanied by a small group of media who are still with us in Praia da Luz and, as usua,l all the material will be available to all the British press and broadcasters equally. For all trips we are assessing whether commercial flights can get us to our destination and back to Portugal quickly. This will NOT be a Tour- it is a series of very brief visits with the specific aim of raising awareness and we aim to get back here as quickly as possible.


We have decided that for the majority of trips it will not be practicable, or fair, to take Sean and Amelie with us. They have an established routine which we do not want to disrupt and will be looked after by very close family. Tonight for the first time they have gone to sleep in their own single beds, rather than cots, now that another two of our family have gone home. We were planning to turn their cots at home into beds after our 1 week holiday but obviously this has been delayed with Madeleine’s abduction. We have been in Praia da Luz for over 4 weeks and Sean and Amelie’s development from toddlers to litlle boy and girl continues. Madeleine will really notice the difference when she sees them!


Some of you may have seen on the news the huge inflatable billboard which has travelled all the way from the West of Scotland to Portugal which will be used near busy roads/motorways to keep Madeleine’s disappearance high profile. We had a brief chat with Chris and Les, who drove almost non-stop from Glasgow to get here. The extraordinary length ordinary people are going to to help us is truly overwhelming. We thank everyone for their efforts, no matter how small, and we know this will make a difference in our search for Madeleine.


Day to day life for the McCann's

Usually there’s some free time then for a few stories or games with the twins before heading out.

9.00-9.15 We take Sean and Amelie to Kids’ Club. They really enjoy it and run in. They know the staff well and the staff are all excellent.  Both love the domestic corner and Amelie particularly likes to look after ‘babies’. We use the kids club a bit like nursery at home but we think Sean and Amelie still think they are on holiday!

 

9.30~12.15. We return to the apartments, usually for a series of meetings with our press officer, Mark Warner Reps, occasionally Consulate staff, lawyers and British Liaison officers. During this time we catch up with family and close friends, usually by telephone and discuss ideas how to keep Madeleine’s profile high especially throughout continental Europe.

 

12.30 Time to pick up Sean and Amelie from Kids’ club then head back to apartment for lunch, which has usually been prepared by one of our family/friends group who have been tremendously supportive.

 

13.30 –14.30 This is time to spend time playing with the twins either in the apartment or in the play area next to kids club.

 

14.30-15.00 Usually we take the twins back to Kids’ Club although Sean has had the odd afternoon in the apartment as it’s a bit cooler and he’s not much of a sun worshipper! They have been taking part in many different activities including painting, singing, stories, swimming, trips to the beach and they have lots of toys to play with.

 

15.00~17.00 We try to get some time together alone, going for a walk to talk things over or getting some exercise. This is often the time for quiet trips to the church for prayers.

 

17.00-17.30 Meet kids for high tea with other mums and dads. They love pasta and have been doing really well with their vegetables although a few chips have been squeezed in.

 

17.30-18.30. Games with kids at play area. Amelie loves trying to get in the baby pool!

 

18.30-19.30 Bath and story time with the twins.

 

20.00 We put the kids to bed.
 
20.30-23.00 We try to sit down for a family meal, again usually cooked by one of the small family group out here with us. Chat about the day’s events and plan the next day

 

23.30 bed and prayer for Madeleine that she will be returned to us safely ASAP.

In addition to above we try to attend various church services during the week, and make multiple phone calls to family and friends. We try to watch the main news early morning and late evening but have had almost no time to read the newspapers or even look at the pictures!
  
Kate is a keen runner and in the last few days has tried to include a run in the daily routine.  Yesterday (Sat) at 7am we ran to the monument at the top of the steep cliff overlooking Praia de Luz.  We reached it in 19 minutes.

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José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, filho de José Nepomuceno Afonso, juiz, e de Maria das Dores.
Em 1930 os pais foram para Angola, onde o pai tinha sido colocado como delegado do Procurador da República em Silva Porto. José Afonso permanece em Aveiro, na casa da Fonte das Cinco Bicas, por razões de saúde, confiado à tia Gegé e ao tio Xico, um «republicano anticlerical e anti-sidonista».
Por insistência da mãe, em 1933 Zeca segue para Angola, com três anos e meio, no vapor Mouzinho, acompanhado por um tio advogado em lua-de-mel. Um missionário é a companhia de José Afonso que permanece três anos em Angola, onde inicia os estudos da instrução primária.
Em 1936 regressa a Aveiro, para casa de umas tias pelo lado materno.
Parte em 1937 para Moçambique ao encontro dos pais, com quem vive juntamente com os irmãos João e Mariazinha.
Regressa a Portugal, em 1938, desta vez para casa do tio Filomeno, presidente da Câmara Municipal de Belmonte. Aqui conclui a quarta classe. O tio, salazarista convicto, fá-lo envergar a farda da Mocidade Portuguesa.
Vai para Coimbra em 1940 para prosseguir os estudos. É matriculado no Liceu D. João III e instala-se em casa da tia Avrilete. No liceu conhece António Portugal e Luiz Goes. A família parte de Moçambique para Timor, onde o pai vai exercer as funções de juiz. Mariazinha vai com eles, enquanto seu irmão João vem para Portugal. Com a ocupação de Timor pelos Japoneses, José Afonso fica sem notícias dos pais durante três anos, até ao final da II Guerra Mundial, em 1945.
Nesse mesmo ano começa a cantar serenatas como «bicho», designação da praxe de Coimbra para os estudantes liceais (José Afonso andava no 5.º ano do liceu). Era conhecido como «bicho-cantor», o que lhe permitia não ser «rapado» pelas «trupes». Vida de boémia e fados tradicionais de Coimbra.
De 1946 a 1948 completa o curso dos liceus, após dois chumbos. Conhece Maria Amália de Oliveira, uma costureira de origem humilde, com quem vem a casar em segredo, por oposição dos pais. Faz viagens com o Orfeão e com a Tuna Académica. Joga futebol na Associação Académica de Coimbra.
Em 1949 inscreve-se no primeiro ano do curso de Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras. Vai a Angola e Moçambique integrado numa comitiva do Orfeão Académico da Universidade de Coimbra.
Em Janeiro de 1953 nasce-lhe o primeiro filho, José Manuel. Dá explicações e faz revisão no Diário de Coimbra. São editados os seus primeiros discos. Trata-se de dois discos de 78 rotações com fados de Coimbra, editados pela Alvorada, dos quais não existem hoje exemplares. Os dois discos foram gravados no Emissor Regional de Coimbra da Emissora Nacional.
De 1953 a 1955 cumpre, em Mafra, serviço militar obrigatório. Foi mobilizado para Macau, mas livrou-se por motivos de saúde. Depois é colocado num quartel em Coimbra. Tem grandes dificuldades económicas para sustentar a família, como refere em carta enviada aos pais em Moçambique. A crise conjugal é muito sentida. Após o serviço militar, já com dois filhos, José Manuel e Helena (nascida em 1954), conclui em 1963 o curso na Faculdade de Letras de Coimbra com 11 valores com uma tese sobre Jean-Paul Sartre: «Implicações substancialistas na filosofia sartriana».
Vai dar aulas num colégio privado em Mangualde em 1955/56. Inicia-se o processo de separação e posterior divórcio de Amália (1 de Junho de 1963). José Afonso manterá uma névoa de silêncio em redor desta sua experiência conjugal.
Em 1956 é editado o seu primeiro EP, intitulado Fados de Coimbra. Em 1956/57 é professor em Aljustrel e em Lagos.
Por dificuldades económicas, em 1958 envia os dois filhos para Moçambique, para junto dos avós. Neste ano fica impressionado com a campanha eleitoral de Humberto Delgado. Digressão de um mês em Angola da Tuna Académica. José Afonso é o vocalista do Conjunto Ligeiro. «Actuámos vestidos com umas largas blusas de cetim, cada uma de sua cor, imitando a orquestra de "mambos" de Perez Prado, o máximo da altura», conta José Niza.
Em 1959 começa a frequentar colectividades e a cantar regularmente em meios populares.
Em 1960 é editado o quarto disco de José Afonso. Trata-se de um EP para a Rapsódia, intitulado Balada do Outono
De 1961 a 1962 segue atentamente a crise estudantil deste último ano. Convive em Faro com Luiza Neto Jorge, António Barahona, António Ramos Rosa e Pité e namora com Zélia, natural da Fuzeta, que será a sua segunda mulher.
Em 1962 é editado o álbum Coimbra Orfeon of Portugal, pela Monitor, dos Estados Unidos, com «Minha Mãe» e «Balada Aleixo», onde José Afonso rompe definitivamente com o acompanhamento das guitarras. Nestas duas baladas é acompanhado exclusivamente à viola por José Niza e Durval Moreirinhas.
Realiza digressões pela Suíça, Alemanha e Suécia, integrado num grupo de fados e guitarras, na companhia de Adriano Correia de Oliveira, José Niza, Jorge Godinho, Durval Moreirinhas e ainda da fadista lisboeta Esmeralda Amoedo.
Em 1963 é editado outro EP de Baladas de Coimbra.
Em Maio de 1964, José Afonso actua na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, onde se inspira para fazer a canção «Grândola, Vila Morena», que viria a ser no dia 25 de Abril de 1974 a senha do Movimento das Forças Armadas (MFA) para o derrube do regime ditatorial.
Nesse mesmo ano é editado o EP Cantares de José Afonso, o único para a Valentim de Carvalho.
Também em 1964 é editado, pela Ofir, o álbum Baladas e Canções, que virá a ser reeditado em CD pela EMI em 1997.
De 1964 a 1967, José Afonso encontra-se em Lourenço Marques com Zélia, onde reencontra os seus dois filho. Nos últimos dois anos, dá aulas na Beira. Aqui musicou Brecht na peça A Excepção e a Regra. Em Moçambique nasce a sua filha Joana (1965).
Em 1967 regressa a Lisboa esgotado pelo sistema colonial. Deixa o filho mais velho, José Manuel, confiado aos avós em Moçambique. Colocado como professor em Setúbal, sofre uma grave crise de saúde que o leva a ser internado durante 20 dias na Casa de Saúde de Belas. Quando sai da clínica, tinha sido expulso do ensino oficial. É publicado o livro Cantares de José Afonso, pela Nova Realidade. O PCP convida-o a aderir ao partido, mas José Afonso recusa invocando a sua condição de classe. Assina contrato discográfico com a Orfeu, para quem grava mais de 70 por cento da sua obra.
Expulso do ensino, em 1968 dedica-se a dar explicações e a cantar com mais assiduidade nas colectividades da Margem Sul, onde é nítida a influência do PCP. Pelo Natal, edita o álbum Cantares do Andarilho, com Rui Pato, primeiro disco para a Orfeu. O contrato é sui generis: contra o pagamento de uma mensalidade (15 contos), José Afonso é obrigado a gravar um álbum por ano.
Em 1969 a Primavera marcelista abre perspectivas de organização ao movimento sindical. José Afonso participa activamente neste movimento, assim como nas acções dos estudantes em Coimbra. Edita o álbum Contos Velhos Rumos Novos e o single «Menina, dos Olhos Tristes» que contém a canção popular «Canta Camarada». Recebe o prémio da Casa da Imprensa para o melhor disco, distinção que repete em 1970 e 1971. Pela primeira vez num disco de José Afonso, aparecem outros instrumentos que não a viola ou a guitarra. Trata-se do último álbum com Rui Pato. Nasce o último filho, o quarto, Pedro.
Em 1970 é editado o álbum Traz Outro Amigo Também, gravado em Londres, nos estúdios da Pye, o primeiro sem Rui Pato, impedido pela PIDE de viajar. Carlos Correia (Bóris), antigo músico de rock, dos Álamos e do Conjunto Universitário Hi-Fi, substitui Pato. A 21 de Março, por unanimidade, a Casa de Imprensa atribui a José Afonso o Prémio de Honra pela «alta qualidade da sua obra artística como autor e intérprete e pela decisiva influência que exerce em todo o movimento de renovação da música ligeira portuguesa». Participa em Cuba num Festival Internacional de Música Popular.
Pelo Natal de 1971, é lançado o álbum Cantigas do Maio, gravado perto de Paris, nos estúdios de Herouville, um dos mais caros e afamados da Europa. O álbum é geralmente considerado o melhor disco de José Afonso. A editora Nova Realidade publica o livro
Cantar de Novo.
No ano de 1972 o álbum chama-se Eu Vou Ser Como a Toupeira, gravado em Madrid, nos Estúdios Cellada, com a participação de Benedicto, um cantor galego amigo de Zeca, e com o apoio dos Aguaviva, de Manolo Diaz. O livro, editado pela Paisagem, tem apenas o título de José Afonso.
Em 1973 José Afonso continua a sua «peregrinação», cantando um pouco em todo o lado. Muitas sessões foram proibidas pela PIDE/DGS. Em Abril é preso e fica 20 dias em Caxias até finais de Maio. Na prisão política, escreve o poema «Era Um Redondo Vocábulo». Pelo Natal, publica o álbum Venham Mais Cinco, gravado em Paris, em que José Mário Branco volta a colaborar musicalmente. No tema-título, participa Janine de Waleyne, solista dos Swingle Singers, o melhor grupo vocal de jazz cantado da altura, na opinião de José Niza. 
A 29 de Março de 1974, o Coliseu, em Lisboa, enche-se para ouvir José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Manuel Freire, José Barata Moura, Fernando Tordo e outros, que terminam a sessão com «Grândola, Vila Morena». Militares do MFA estão entre a assistência e escolhem «Grândola» para senha da Revolução. Um mês depois dá-se o 25 de Abril. No dia do espectáculo, a censura avisara a Casa de Imprensa, organizadora do evento, de que eram proibidas as representações de «Venham Mais Cinco», «Menina dos Olhos Tristes», «A Morte Saiu à Rua» e «Gastão Era Perfeito». Curiosamente, a «Grândola» era autorizada. É editado o álbum Coro dos Tribunais, gravado em Londres, novamente na Pye, com arranjos e direcção musical, pela primeira vez, de Fausto. São incluídas as canções brechtianas compostas em Moçambique no período entre 1964 e 1967, «Coro dos Tribunais» e «Eu Marchava de Dia e de Noite (Canta o Comerciante)». 
De 1974 a 1975 envolve-se directamento nos movimentos populares. O PREC (Processo Revolucionário Em Curso) é a sua paixão. Cantou no dia 11 de Março de 1975 no RALIS para os soldados. Estabelece uma colaboração estreita com o movimento revolucionário LUAR, através do seu amigo Camilo Mortágua, dirigente da organização. A LUAR edita o single «Viva o Poder Popular» com «Foi na Cidade do Sado» no lado B. Em Itália, as organizações revolucionárias Lotta Continua, Il Manifesto e Vanguardia Operaria editam o álbum República, gravado em Roma a 30 de Setembro e 1 de Outubro, nos estúdios das Santini Edizioni. As receitas do disco destinavam-se a apoiar a Comissão de Trabalhadores do jornal República ou, caso o jornal fosse extinto, como foi, o Secretariado Provisório das Cooperativas Agrícolas de Alcoentre. Desconhecido em Portugal, o álbum inclui «Para Não Dizer Que Não Falei de Flores» (Geraldo Vandré), «Se os Teus Olhos se Vendessem», «Foi no Sábado Passado», «Canta Camarada», «Eu Hei-de Ir Colher Macela», «O Pão Que Sobra à Riqueza», «Os Vampiros», «Senhora do Almortão», «Letra para Um Hino» e «Ladainha do Arcebispo». Francisco Fanhais colaborou na gravação do disco, juntamente com músicos italianos.
Em 1976 apoia a candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho, cérebro do 25 de Abril e ex-comandante do COPCON (Comando Operacional do Continente), apoio que reedita em 1980. Fase cronista de José Afonso, que publica o álbum Com as Minhas Tamanquinhas. O disco tem a surpreendente participação de Quim Barreiros. É, na opinião de José Niza, «um disco de combate e de denúncia, um grito de alma, um murro na mesa, sincero e exaltado, talvez exagerado se ouvido e lido ao fim de 20 anos, isto é, hoje». É a «ressaca» do PREC. 
O álbum Enquanto Há Força, editado em 1978, de novo com Fausto, representa mais um exemplo da fase cronista do cantor, ligada às suas preocupações anti-colonistas e anti-imperialistas e à sua crítica mordaz à Igreja. Inclui as participações, entre outras, de Guilherme Inês, Carlos Zíngaro, Pedro Caldeira Cabral, Rão Kyao, Luís Duarte, Adriano Correia de Oliveira e Sérgio Godinho. 
Em 1979 é editado o álbum Fura Fura, com a colaboração musical de Júlio Pereira e dos Trovante. O disco inclui oito temas de música para teatro, compostos para as peças Zé do Telhado, de A Barraca, e Guerra do Alecrim e Manjerona, da Comuna. Actua em Bruxelas no Festival da Contra-Eurovisão.
Em 1981, após dois anos de silêncio,  regressa a Coimbra com o seu álbum Fados de Coimbra e Outras Canções. Trata-se da mais bela versão do fado de Coimbra, interpretada por Zeca Afonso em homenagem a seu pai e a Edmundo Bettencourt, a quem o disco é dedicado. Actua em Paris, no Théatre de la Ville.
Em 1982 começam a conhecer-se os primeiros sintomas da doença do cantor, uma esclerose lateral amiotrófica. Trata-se, aparentemente, de um vírus instalado na espinal medula que, de uma forma progressiva, destrói o tecido muscular e, normalmente, conduz à morte por asfixia. Actua em Brouges no Festival de Printemps.
Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já em dificuldades. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé. É publicado o duplo álbum Ao Vivo no Coliseu.
No Natal desse ano, sai Como Se Fora Seu Filho, um testamento político. Colaboração de Júlio Pereira, Janita Salomé, Fausto e José Mário Branco. Alinhamento: «Papuça», «Utopia», «A Nau de António Faria», «Canção da Paciência», «O País Vai de Carrinho», «Canarinho», «Eu Dizia», «Canção do Medo», «Verdade e Mentira» e «Altos Altentes». Algumas das canções foram escritas para a peça Fernão Mentes? do grupo de teatro A Barraca. Publicado o livro Textos e Canções, com a chancela Assírio e Alvim. Contra a sua vontade, é publicado pelo Foto Sonoro um maxi-single, Zeca em Coimbra, com um espectáculo dado por Zeca no Jardim da Sereia, na Lusa Atenas, a 27 de Maio. A cidade de Coimbra atribui a José Afonso a Medalha de Ouro da cidade. «Obrigado Zeca, volta sempre, a casa é tua», disse-lhe o presidente da Câmara, Mendes Silva. «Não quero converter-me numa instituição, embora me sinta muito comovido e grato pela homenagem», respondeu José Afonso. O Presidente da República, general Ramalho Eanes, atribui a José Afonso a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa-se a preencher o formulário. Em 1994, o Presidente da República Mário Soares tentou de novo condecorar, postumamente, José Afonso com a Ordem da Liberdade, mas a mulher, Zélia, recusou, alegando que se José Afonso não desejou a distinção em vida, também não seria após a sua morte que seria condecorado.
Em 1983 José Afonso é reintegrado no ensino oficial, tendo sido destacado para dar aulas de História e de Português na Escola Preparatória de Azeitão. Tinha sido expulso em 1968. A doença, agrava-se.
Em 1985 é editado o último álbum, Galinhas do Mato. José Afonso já não consegue cantar todos os temas, sendo substituído por Luís Represas («Agora»), Helena Vieira («Tu Gitana», Janita Salomé («Moda do Entrudo», «Tarkovsky» e «Alegria da Criação»), José Mário Branco («Década de Salomé», em dueto com Zeca), Né Ladeiras («Benditos») e Catarina e Marta Salomé («Galinhas do Mato»). Arranjos musicais de Júlio Pereira e Fausto. Outras canções do álbum: «Escandinávia Bar-Fuzeta» e «À Proa».
Em 1986 apoia a candidatura presidencial de Maria de Lourdes Pintassilgo, católica progressista.
José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada em 1982. O funeral realizou-se no dia seguinte, com mais de 30 mil pessoas, da Escola Secundária de S. Julião para o cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, onde a urna foi depositada às 17h30 na sepultura 1606 do quadro 19. O funeral demorou duas horas a percorrer 1300 metros. Envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como pedira, a urna foi transportada, entre outros, por Sérgio Godinho, Júlio Pereira, José Mário Branco, Luís Cília, Francisco Fanhais. A Transmédia editou o triplo álbum, o primeiro da história discográfica portuguesa, Agora e Sempre, duas semanas depois da morte do cantor. O triplo disco é constituído pelos álbuns Como Se Fora Seu Filho (1983) e Galinhas do Mato (1985) e por um alinhamento diferente de Ao Vivo no Coliseu (1983). A 18 de Novembro é criada a Associação José Afonso com o objectivo de ajudar a realizar as ideias do compositor e intérprete no campo das Artes.
 

Autobiografia de José Afonso

Texto biográfico escrito por Benedicto Garcia Villar inserido na "Gran Enciclopédia Galega"

Artigo "Os lugares de Zeca Afonso" de Ana Margarida de Carvalho | VISÃO nº 729

 


   
Aveiro 1929-1932
"Eu não sei se isso de recordar o nascimento corresponde a um conteúdo repetido dos sonhos (...). Agora que existe uma imagem persistente, uma luz muito difusa (...), uma luz láctea, uma luz imanente, uma  luz muito vital (...) como se fosse um banho de leite que me mergulhasse a mim ou que mergulhasse o Universo. 
Uma larva branca. É a impressão que eu tenho."

1926
Revolução militar de 28 de Maio. | Imposição da censura prévia à imprensa. | Dissolução do Congresso da República. |
Extinção do Ensino Primário Superior (criado em 1919). | Promulgação das "Bases Orgânicas da Administração Ultramarina".

1928
Salazar na pasta das Finanças (até 1940). | General Carmona assume a presidência da República.

"Eram umas tias afáveis, (...). E tenho perfeitamente na cabeça a imagem de lugares na casa: um pátio nas traseiras. (...). Tomávamos café de cevada à noite..."
"Era uma cozinha enorme, com um fogão de ferro alimentado a blocos de madeira... (...)".

1929
Salazar acumula os Ministérios das Finanças, Colónias e Interior. | Greves em vários pontos do país.

1930
Criação da PVDE (Polícia da Vigilância e Defesa do Estado). | Criação da União Nacional. | Acto Colonial.

1931
Revolta da Madeira. | Espanha: implantação da República.



  
Angola 1932-1937
"Não foi talvez, nem a minha infância em Portugal, nem a segunda fase em África; foi a fase intermédia que foi a mais marcante. (...). Foi a minha viagem no barco Mouzinho... Fui entregue (...) a um primo muito conhecido em Luanda que ia de lua de mel, (...) e que praticamente desapareceu...! E eu transformei um sujeito que conheci a bordo numa espécie de parente vitalício que foi um sacerdote a que eu chamava... o homem das barbas... Missionário de certeza! (...). O homem das barbas deve ter substituído integralmente as minhas tias... Esse homem era quase para mim um absoluto...".

"(...) a África era uma coisa imensa, uma natureza inacessível que não tinha fim, contactos com fenómenos da natureza extremamente prepotentes como eram as grandes trovoadas, os gafanhotos, florestas, travessias de rios em barcaças, etc., etc. Estive também em Luanda onde creio que iniciei a 1ª classe".

1932
Salazar assume a presidência do governo.

1933
Promulgação da nova Constituição Política. | Criação do SPN | (Secretariado da Propaganda Nacional). 
Promulgação da Carta Orgânica do Império Colonial Português e da Reforma Administrativa Ultramarina. | Alemanha: Hitler nomeado chanceler do Reich.

1934
Greve geral insurrecional (18.Jan.) | General Carmona reeleito Presidente da República. | 1º Congresso da União Nacional. |  Proibição de todos os partidos políticos e organizações secretas. Expulsão de 33 professores universitários. | 1ª Exposição Colonial Portuguesa (Porto).

1935
Tentativa falhada de golpe contra a ditadura militar. | Criação da FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho).

1936
Criação da colónia penal do Tarrafal. Criação da Mocidade Portuguesa e da Legião Portuguesa. 
Criação da Junta Nacional de Educação. 
Espanha: a Frente Popular vence as eleições. 
Início da Guerra Civil (até 1939).


   
Lourenço Marques 1937-1938
"Aos oito anos regresso a África. Agora é Moçambique, não é Angola. Pouco tempo ali estou mas é de novo o paraíso. Somos eu, o meu irmão e a minha irmã... Também nesse tempo vamos com a família à África do Sul e vemos feras em liberdade... Eu sonhava nunca mais abandonar aquela terra".

1937
Atentado à bomba contra Salazar. | Revolta dos Marinheiros. | 1ª Exposição Histórica da Ocupação Portuguesa no Mundo. | 1º Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo. | Espanha: bombardeamento de Guernica (26 Abril).


 
Belmonte 1938-1940
"De Moçambique vim para Belmonte onde um tio meu era Presidente da Câmara, comandante da Legião!... Homem valsante; gostava muito de valsar e de dançar o tango (...).
Uma terra horrível. Um período fechado. Privado de contactos. Eu não podia sequer dar-me com os meninos da vila. Fiz ali a 4ª classe. (...) o pior ano da minha vida."
"Ouço noites seguidas daquele meu quarto as notícias captadas pelo meu tio que era de facto a ameaça germânica - 'Londres comme Cartago sera détruite!' ".

1939
Tratado de Não Agressão e Amizade entre Portugal e Espanha. | Início da 2ª Guerra Mundial.


  
Coimbra 1940-1955
"O liceu é a dois passos... (...). Há lá uma ladeira e ao cimo da ladeira era a casa da tia Avrilete, um segundo andar. O ambiente era muito conservador: mulheres de escapulário ao pescoço. Proibições... Por baixo vivia uma outra família e por baixo ainda era a mercearia do Sr. Santos".

"Quando havia trovoada a minha tia dizia o magnificat com voz de sibila, aliás, as três mulheres, (...) diziam todas as três o magnificat em três pontos diferentes da sala, cada uma no seu tom".

 "(...) tanto ia aos 'Cágados' onde comia ovos à uma da manhã, como passava pelos 'Galifões' ou pelos 'Corsários das Ilhas'. Os 'Cágados' ficavam perto da minha casa, quando vivia no Beco da Carqueja. A parte de trás dava mesmo para o Quebra Costas e para o Gil, (...). Também conheci muita malta da 'Prá-quis-tão' e tive um convívio bastante estreito com os tipos do ´Palácio da Loucura'. De um modo geral convivi com a 'Ai-Ó-Linda' e dava-me muito com o Lobão dos 'Corsários das Ilhas', (...)".

"Havia uma sociedade de indivíduos que viviam na Alta ou na Baixa economicamente depauperados: barbeiros, merceeiros, profissões dependentes do estudante. Recordo-me que as criadas viviam num estado de fome permanente nas férias grandes e começavam a comer quando os estudantes regressavam. (...). Lembro-me do estatuto de estudante que era, apesar de tudo, compatível com uma certa compreensão humana da situação dessa gente. Esta visão sentimental do que eram as desigualdades sociais motivou uma certa transformação em mim. A visão poético-estudantil em que eu me considerava um herói de capa e batina, um cavaleiro andante, desapareceu ou foi desaparecendo com o tempo e à medida que fui vivendo numa situação económica extremamente difícil com os meus dois filhos no Beco da Carqueja".


"Na formatura era um infantilismo pegado. Cachaços uns aos outros ao mesmo tempo que se dizia 'seu cagão'. Era uma coisa indescritível. A mim pediram-me para sair da caserna porque tinha pesadelos e berrava que nem um chibo".
"Eu fui o menos classificado de todo o curso por falta de aprumo militar".

"A minha acção como professor era mais de carácter existencial, na medida em que queria pôr os alunos a funcionar como pessoas, incutir-lhes um espírito crítico, fazer com que exercitassem a sua imaginação à margem dos programas oficiais".


  Faro 1961-1964

"
Percorri algumas casas dos bairros limítrofes de Faro (...), os lugares mais baratos (...). Fui parar à casa da D. Maria, situada numa rua um pouco excêntrica e muito próxima do cais onde partem os barcos para a ilha..."

"Foi uma fase de euforia extremamente gratificante e das coisas mais felizes da minha vida. Escrevi na altura 'Tenho barcos tenho remos', a propósito de um barco que utilizávamos. Nesse 'Barco do Diabo' fazíamos viagens fantásticas ou fantasmas (...) discutíamos pontos de vista vários. Tínhamos a mania de andar a pé até Olhão, até Quarteira e ainda mais longe."
 

"(...) e então fiquei extremamente impressionado com a colectividade: num local quase sem estruturas nenhumas com uma biblioteca 
de evidentes objectivos revolucionários, uma disciplina generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava já uma grande consciência 
e maturidade políticas".

 


  Cidade da Beira 1965-1967
"Se houve alguma coisa em África que me marcou definitivamente foi a realidade colonial. 
Quando eu parti ia preparado para enfrentá-la: sabia quais os seus contornos e o papel que me cabia como professor, quais os alunos que ia ensinar. Sabia também que ia ser um veículo de transmissão ideológica de uma classe dominante. 
Sabia que tudo ia ser muito mais violento que tudo quanto tinha experimentado até aqui. 
Custou-me muitíssimo ir para África, mas hoje não estou nada arrependido".

"Fiquei terrivelmente ligado àquela realidade física que é a África, aquilo tem de facto qualquer coisa de estranho, uma força muito grande que nos seduz".

"O meu baptismo político começa em África. Estava a dois passos do oprimido".

1965
O General Humberto Delgado é assassinado pela Pide.



   Setúbal 1967-1979

"(...) instalo-me em Setúbal e começo a ser convidado para as colectividades da Margem Sul e mais tarde para as Associações Académicas, para aqueles seminários que se faziam no Técnico. Estudantes de Coimbra, indivíduos com grande maturidade e conhecimentos políticos visitavam-me aqui no prédio Estrela e passei a cantar nessas colectividades (...) Fui convidado pelo Cine Clube do Barreiro (...), aqueceu (...), a direcção foi presa e eu interrogado. Comecei a ser chamado à Pide com uma relativa assiduidade, ao posto local em Setúbal, até que finalmente fui corrido do ensino. Sabia perfeitamente qual era a minha função e pela primeira vez comecei a tomar contacto com o que mais tarde se veio a chamar cantor militante político (...).
Vinha decidido a ser professor (...), trazia a angústia que era a de não poder sobreviver (...)"

"Nunca fui um indivíduo com certezas dogmáticas acerca de grupos ou partidos preferenciais. Comecei por me relacionar, sobretudo na Margem Sul, a associações de estudantes fortemente politizadas, por um lado, e a determinadas organizações políticas, como por exemplo os Católicos Progressistas, por outro. Achava que todos aqueles grupos eram necessários para formar um movimento que conduzisse ao derrube do poder. Qual seria depois o partido ou organização que surgiria após o derrube do poder, não sabia."

"(...) multiplicaram-se então as minhas idas por vários locais, reuniões com variadíssimos acidentes. Foi o célebre período em que o meu nome não figurava em jornal nenhum, em que embarcava sem saber se ia chegar ao destino, porque podia ser, como fui, interceptado pela Pide."

"A última vez que fui preso tinha ido esperar o meu pai ao aeroporto. Vim para casa, dormi mal e no dia seguinte bateram à porta. Estávamos em Abril de 1973. O meu filho Zé Manel foi abrir. O inspector apresentou-lhe o 'crachat' da polícia e ele voltou-se displicentemente para a sala a dizer 'oh pai é a prestimosa'. O tipo entrou, fizeram a vasculhação e levaram-me para Caxias."

1967
Fundação da LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária)

1968
Marcelo Caetano sucede a Salazar. | Manifestações estudantis no Porto e em Lisboa contra a guerra do Vietname. 
Manifestação estudantil em Lisboa contra a guerra colonial. | A Pide encerra o Instituto Superior Técnico. Em Lisboa os estudantes decretam o "luto académico".

1969
Jornada de luta política contra o regime. Grandes manifestações em Lisboa e Porto. Movimentos grevistas. Crise académica. II Congresso Republicano em Aveiro. Criação da CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática). 
EUA: grandes manifestações pela retirada do Vietname. | Primeira viagem do homem à Lua.

1970
Morre Salazar. Manifestações de jovens em Lisboa contra a guerra colonial. Criação da Inter-Sindical. Várias operações da ARA (Acção Revolucionária Armada). | Chile: Salvador Allende é eleito Presidente da República pelas forças democráticas.

1971
Movimentos grevistas. | Lutas e greves estudantis.

1972
Importantes lutas e manifestações estudantis. | Início da campanha por uma amnistia geral.

1973
Manifestações e greves a nível nacional. Eleições para a Assembleia Nacional. III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro. Encerramento da Faculdade de Letras de Lisboa depois de vários incidentes em diversas associações de estudantes. | Início do "Movimento dos Capitães" (reunião num monte alentejano perto de Évora). 
Amílcar Cabral, dirigente do PAIGC, é assassinado em Conakry. Massacre de 400 civis em Wiriyamu, Moçambique. A ONU condena a política africana portuguesa.  | Chile: golpe de Estado. O Presidente Salvador Allende é assassinado. Junta militar de Pinochet.

1974
Novo surto grevista abrangendo dezenas de milhar de trabalhadores. Greve geral na Universidade de Lisboa contra a guerra colonial. | Dá-se a Revolução do 25 de Abril. | Criada a Junta de Salvação Nacional. 
Libertação dos presos políticos (Caxias e Peniche). Instituida a liberdade de criação dos partidos políticos. General Spínola designado Presidente da República. | A República da Guiné-Bissau é admitida como o 138º membro das Nações Unidas. Assinatura do acordo de Argel: governo português reconhece a independência da Guiné-Bissau. Assinatura dos acordos de Lusaka: é reconhecido o direito de Moçambique à independência e a transferência de poderes para a FRELIMO.

1975
Constituição do Conselho da Revolução. | Eleições para a Assembleia Constituinte. | Início da Reforma Agrária. Ocupação de terras, constituição das primeiras cooperativas e UCP's. | Nacionalizações. | Acordo de Alvor: processo e calendário de acesso de Angola à independência. | Proclamação da República Popular de Cabo Verde. | Proclamação da independência da República de São Tomé e Príncipe. | Indonésia invade Timor Leste controlada pela Fretilin.| Espanha: morre o General Franco.

1976
Aprovação da Constituição. Ramalho Eanes eleito Presidente da República. | Primeiras eleições autárquicas. | 1º governo constitucional. Mário Soares é escolhido como primeiro-ministro.

1977
Lei Barreto. Lei das indemnizações. Entrega de terras das UCP's a agrários. Congresso de todos os sindicatos. Greve nacional de ensino superior.

1978
Aprovada na Assembleia da República a lei que define e pune organizações de ideologia fascista. Mário Soares é nomeado primeiro-ministro do II governo constitucional. Primeira greve nacional da função pública desde 1926. Início do julgamento do assassínio do general Humberto Delgado.

 


   Azeitão 1979-1987
"Curioso é que nós passamos 40 ou 50 anos de uma vida a fazer determinadas coisas e um dia mais ou menos de repente, sem que renunciemos a nada do que fizemos, apercebemo-nos de que tudo deveria ter sido diferente. 
É apenas uma vaga sensação que se instala, sem que saibamos defini-la muito bem. 
No fundo sou muito mais contraditório e supersticioso do que quis admitir ao longo dos anos."

"Eu sempre disse que a música é comprometida quando o músico, como cidadão é um homem comprometido. Não é o produto saído desse cantor que define o compromisso mas o conjunto de circunstâncias que o envolve com o momento histórico e político que se vive e as pessoas com quem ele priva e com quem ele canta.

"Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta."

" Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for."

1979
Dissolução da Assembleia da República. | Manifestações em diversos pontos do país contra a política do governo Mota Pinto. | Eleições intercalares. Lourdes Pintassilgo, primeiro-ministro. Eleições autárquicas.

1980
Ramalho Eanes reeleito Presidente da República. Sá Carneiro, primeiro-ministro.

1985
Eleições legislativas e autárquicas. Governo minoritário do PSD, Cavaco Silva, primeiro-ministro.

1982
Aprovada na Assembleia da República a extinção do Conselho da Revolução e a revisão constitucional. Greve geral de 24 horas promovida pela CGTP contra o pacote laboral (12.Fev.) e em protesto contra a repressão policial (11.Maio).

1983
Dissolução da Assembleia da República. Eleições antecipadas. Mário Soares, primeiro-ministro.

1984
Há 92 mil trabalhadores com salários em atraso, em 600 empresas.

1986
Portugal e Espanha entram na CEE. Eleições presidenciais: Mário Soares, Presidente da República.
 

 

 
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                                        Maria João Pires

A pianista Maria João Pires nasceu em Lisboa e tocou pela primeira vez em público aos 4 anos de idade. Aos 5 deu o seu primeiro recital e dois anos mais tarde interpretava já concertos de Mozart em público. Entre 1953 e 1960, Maria João Pires estudou no Conservatório Nacional de Lisboa com o professor Campos Coelho, tendo frequentado também os cursos de Composição, Teoria e História da Música com Francine Benoît. Os seus estudos prosseguiram na Alemanha, primeiramente na Academia de Música de Munique, com Rosi Schmid, e depois em Hanôver, com Karl Engel.

O reconhecimento internacional de Maria João Pires teve lugar depois da intérprete obter o Primeiro Prémio do Concurso do Bicentenário de Beethoven, em 1970. As suas estreias em Londres (1986) e Nova Iorque (1989) foram largamente aclamadas pela imprensa. Em 1987, apresentou-se em Hamburgo, Paris e Amsterdão, por ocasião da digressão inaugural da Orquestra Juvenil Gustav Mahler, sob a direcção de Claudio Abbado.

Maria João Pires apresenta-se regularmente na Europa, Canadá, Japão, Israel e nos Estados Unidos. Fez a sua estreia no Festival de Salzburgo em 1990, com a Orquestra Filarmónica de Viena e Claudio Abbado. Em 1996 apresentou-se em Salzburgo, Ludwigsburg e Lucerna, acompanhada pela Orquestra do Royal Concertgebouw, sob a direcção de Riccardo Chailly.

A par com a sua carreira de recital e concerto, Maria João Pires desenvolve uma intensa actividade no domínio da música de câmara. Desde 1989, tem vindo a privilegiar a sua colaboração com o violinista francês Augustin Dumay, na companhia do qual realizou a sua estreia em Londres. Os dois artistas apresentaram-se igualmente em Espanha, na Holanda, na Bélgica, na Suíça e, sobretudo, em França. O duo prosseguiu entretanto a sua actividade, realizando recitais no Japão, em 1992 e em 1994, ano em que Maria João Pires se apresentou também com a Orquestra Nacional de Lyon. Após uma digressão a solo pela Europa, Maria João Pires estabeleceu, de novo, parceria com Augustin Dumay, tendo em vista a realização de concertos na Alemanha, na Jugoslávia e na Bélgica, no final de 1997.


 
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                                 sobre Herman José
 
 

Com apenas quatro anos de idade, o pequeno Herman já fazia de actor principal nos filmes que o pai realizava enquanto cinéfilo amador.
Começava assim a desenhar-se uma cumplicidade para com os seus progenitores que o artista ainda hoje mantém com um carinho de fazer inveja a qualquer um.
Os pais foram sempre imprescindíveis na vida do humorista. Estiveram presentes em todas as fases da sua vida e, ainda hoje, apesar da morte do pai em 1999, Herman faz questão de mostrar a sua mãe ao país que tanto respeito e carinho mostra ter por ele.

As passagens do «verdadeiro artista» pelo Kindergarten, jardim infantil alemão na Rua do Passadiço e, posteriormente, pelo Colégio Alemão, foram decisivas para fazer de Herman o homem que hoje é. A cultura alemã, que Herman muito admira, não foi suficiente para travar as brincadeiras e o espírito humorista que aquela criança já trazia dentro de si.
Apesar de não ter sido um modelo exemplar de bom comportamento ou de classificações escolares, o Tio Herman, à boa maneira do menino Nelito, cedo se tornou o «engraçadinho» e o «artista» da turma.
Além disso, começou a tomar contacto com o teatro e a música.

Com 14 anos, resolveu reprovar de propósito no 4.º ano. A turma não era do seu agrado e Herman não hesitou em tomar esta atitude «drástica» para resolver o problema, chegando mesmo a avisar o director da escola sobre a sua decisão.

É nessa época que Herman se farta do passatempo preferido dos portugueses: o futebol. O pai pagava-lhe 25 tostões por cada jogo do Sporting a que fosse na sua companhia. O desporto rendia-lhe algum dinheiro mas não o poupou do cansaço...

Ainda adolescente, deixou crescer o seu cabelo loiro, começou a fazer noitadas e comprou a sua primeira viola-baixo. Por esta altura, a ideia de vir a ser engenheiro já se desvanecia, dando lugar ao sonho da carreira artística.

Aos 18 anos de idade, Herman é forçado a decidir sobre a sua nacionalidade. Ou se naturalizava português e ia para a tropa, e consequentemente para a guerra no ultramar, ou mantinha a nacionalidade alemã e voltava para a Alemanha. As ordens da PIDE deixaram de fazer sentido quando rebentou a revolução de 25 de Abril de 1974.
Por esta altura, o jovem Herman, agora com 20 anos, deixa de lado a ideia de ir tirar um curso superior em Munique.

A carreira artística de Herman José começa por volta dos 17/18 anos, como músico do conjunto «Enclave», ao lado do maestro Pedro Osório, no programa «No Tempo em que Você Nasceu». É Pedro Osório o responsável pela sua entrada no teatro de revista.

Em 1975, estreia-se no pequeno ecrã, ao lado do veterano Nicolau Breyner, com a rábula do Sr. Feliz e o Sr. Contente.

Estava lançada uma carreira que não mais iria parar de crescer. No ano seguinte, aprendeu com Eugénio Salvador a arte de ser actor e dedicou-se à busca da técnica de saber dar ao público o que este queria. É altura de deixar o «pai» Nicolau e começar a dar as suas próprias caminhadas no meio artístico.

Em 1977, inicia-se com chave de ouro na música, conseguindo um disco de ouro com Saca o Saca-Rolhas. A carreira musical iria durar 5 anos e levá-lo-ia aos mais diversos lugares do mundo, desde Macau, Nova Iorque, Rio de Janeiro até à Bulgária.
O segundo disco de ouro chega com a Canção do Beijinho em 1981. Um ano antes havia lançado o álbum Surpresa. Em 1983, vai ao Festival da Canção, onde consegue alcançar o segundo lugar.

Em 1981, e aproveitando os seus dotes de artista nato, compõe uma das personagens que lhe deu mais sucesso: o artista da rádio, TV, disco e da cassete pirata - Toni Silva. A estreia do cantor romântico cheio de brilhantina e lantejoulas dá-se no Passeio dos Alegres, programa televisivo que Júlio Isidro apresentava aos domingos à tarde. Começava aí uma galeria de personagens inesquecíveis que atirava Herman para a ribalta e lhe conferia o estatuto de humorista eleito pelo povo português.

O Tal Canal é a rampa de lançamento para o artista que não tem medo dos poderes instituídos e que não hesita em brincar com a RTP, a sua própria entidade patronal. O humor mordaz e satírico, à boa maneira dos humoristas que admirava, como Benny Hill, Monty Python, Woody Allen e Jô Soares, transforma o programa num êxito total, abrindo caminho para todos os que se seguiram. É aqui que se começa a delinear a escolha dos parceiros de Herman.
Ainda hoje, muitos dos actores que começaram a trabalhar com Herman mantêm a colaboração com o artista. Segue-se Hermanias, onde Herman continua a marcar o seu estilo por uma irreverência quase inesperada em relação a temas e classes da sociedade até então considerados tabu. Nada nem ninguém escapa às piadas de Herman: a política, as classes mais altas da sociedade, o sexo, são alguns dos temas quentes que Herman não resiste a parodiar.

Entre um e outro programa, Herman passa pelo concurso 1,2,3 de Carlos Cruz. Aí faz um sketch humorístico onde leva o apresentador às lágrimas e dá azo à sua faceta de «destruidor de cenários».

É com o programa seguinte, Humor de Perdição, que começa a fase mais crítica da sua carreira. A televisão estatal não aceita o facto de Herman brincar com personagens da nossa História e o Conselho de Gerência da RTP retira o programa do ar.

O humorista consegue recuperar-se do golpe e regressa à televisão com Casino Royal, agora com um humor mais leve, e também mais subtil, capaz de reunir consensos e afastar inimizades por parte de alguns sectores da sociedade.

É altura de acabar, por algum tempo, com os programas de humor. Começa a fase dos concursos. A Roda da Sorte, apresentada diariamente na RTP, começa por ser um simples concurso de televisão, onde Herman é um mero apresentador, para acabar como mais um dos seus espectáculos, com cenários destruídos e o seu querido «publicuzinho» a cantar músicas ensinadas por ele.

Em seguida, concebe Com a Verdade M'Enganas, onde regressa ao estilo «destruidor» da «Roda da Sorte», e começa a apresentar Parabéns. É o Herman mais sério, que já consegue entrevistar notáveis sem brincar (muito) com eles. Passam por lá actores, músicos, políticos, escritores, etc.
Mas, aparentemente, Herman não conseguia estar muito tempo longe da polémica, e ei-la que chega com a rábula A Última Ceia que deixa a Igreja em pé de guerra contra o artista.

Pelo meio, estiveram dois especiais de passagem de ano, como se Herman quisesse fazer o «gosto ao dedo» e não aguentasse estar muito tempo longe das suas origens de humorista.
Crime na Pensão Estrelinha e Hermanias Especial foram a prenda de Herman para o público que nunca o abandonou.

Em 1997, Herman regressa com um mais que desejado (e esperado) programa de humor: Herman Enciclopédia. É o regresso do herói, quando muitos já diziam que o fim da sua careira estava próximo. As frases das personagens de Herman voltam à boca dos portugueses de todas as classes sociais e figuras como o Diácono Remédios, Lauro Dérmio ou o Sinhor Enginheiro juntam-se ao leque de personagens inesquecíveis que contava já com Toni Silva, menino Nelito, Estebes, Serafim Saudade, e tantos outros...

Em 1998, Portugal recebe a Expo e o Herman 98, programa que se assume como um talk show e no qual Herman convida gente famosa que não tem medo de se sujeitar às suas brincadeiras.

Segue-se Herman 99 no ano seguinte.

Em 2000, Herman sai daquela que foi sempre a sua casa de trabalho para se juntar à SIC. Leva consigo Maria Rueff e faz de Herman Sic mais um sucesso para a estação de Carnaxide.
Estação essa que, por ironia do destino, tinha sido a primeira a destroná-lo do top de audiências quando o Big Show Sic de João Baião lhe «roubava» o público fiel dos sábados à noite.

Mas o sucesso deste artista que hoje se pode dar ao luxo de esbanjar dinheiro nos seus desejos mais extravagantes, não passa só pela televisão.
Teve algumas passagens bem sucedidas pelo cinema e a rádio desde sempre o acolheu. Primeiro a Rádio Comercial, depois a TSF e, mais tarde, a RDP, onde actualmente faz rábulas diárias na Antena 3 que servem, muitas vezes, como balão de ensaio para aquelas que irá fazer na televisão.
Esta prática, aliás, foi sempre corrente na carreira de Herman que sempre gostou de experimentar as suas piadas antes de trazê-las ao grande público. A rádio serviu também para reunir um conjunto de anedotas enviadas pelos ouvintes que aproveitou para lançar em livro.

Enfim, haveria tanto para dizer sobre um homem que tem alegrado as vidas dos portugueses nos últimos anos e que tem sabido dar cor a um país de tradição cinzenta. A poetisa Natália Correia chegou a chamar-lhe a saúde democrática e ele próprio intitula-se como o cómico-anarca.

Designações à parte, Herman é o grande humorista português e sabe como ninguém dar vida a personagens e situações da vida real de uma forma mordaz, satírica e com um humor de fazer inveja a qualquer bom britânico. Senhoras e senhores, o verdadeiro artista, Herman José!

 

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                    Biografia de Antoni Tápies

Fue un artista de diversas facetas ya que no sólo se dedicó a la pintura y a la escultora sino que además realizó cerámicas y tapices. Es de formación autodidacta y representante de la corriente informalista, iniciándose en el arte a sus jóvenes 22 años.

Influencias
Antoni Tápies nació el 13 de diciembre de 1923 en Barcelona, y se ha convertido a lo largo de los años y a fuerza de talento, es de formación autodidacta, en uno de los mejores pintores abstractos con los que cuenta España. Este pintor y escultor, representante de la corriente informalista, procede de una familia de libreros y políticos catalanes, quienes lo hicieron vivir en un ambiente cultural muy abierto. Se inició en su trayectoria artística a los 22 años; por aquel entonces cursaba la carrera de Derecho que abandonó para inmiscuirse en el mundo de la pintura. Además, en esa época empezó a leer a Nietszche, Miguel de Unamuno, Edgar Allan Poe; descubrió la pintura de Van Gogh y de Picasso. Pero el pensador que marcó su trayectoria vital y artística fue Jean Paul Sartre con su existencialismo.

Adentrado en el surrealismo Tápies fundó, junto a un grupo de artistas catalanes, el grupo Dau al Set. Este grupo apareció en 1948 para brindar un lugar a las corrientes más vanguardistas, logrando así dar el primer paso que rompió con las corrientes convencionales que se desarrollaban por entonces en España. En 1949 participó en la exposición organizada por el Instituto Francés de Barcelona y también exhibió alguna de sus obras en el salón de los Once de Madrid que fue organizado por Eugenio d´Ors.

Su obra y los cambios en ella
En 1950 consiguió una beca para cursar estudios en París, época en la que se vinculó con la pintura abstracta y con la ideología de la izquierda. Un año más tarde abandonó el grupo Dau al Set para iniciar sus investigaciones por el lado de la materia pictórica frente al dominio existente de la forma. Empezó así a realizar collages con materiales residuales, alternando la abstracción con el primitivismo. También a veces rascaba diversas superficies para conseguir una pintura con relieves que diera la sensación de textura rugosa.
Asimismo, utilizó otra técnica en la que mezclaba la pintura al óleo con polvo de mármol o con cola para dar más sensación de materia a su composición.

Fue así como al abandonar el surrealismo, retornó a las investigaciones sobre la materia, iniciadas ocho años antes, trabajando con tierras, grattages, collages, incisiones; empezando de esta manera a desarrollar su lenguaje personal. Realmente se puede decir que fue un artista que a lo largo de su trayectoria utilizó diversos procedimientos. Coincidiendo con este cambio expuso en la XXIV Bienal de Venecia (1952), en la Galería Martha Jackson de Nueva York y obtuvo el gran premio de Pintura de la Bienal de Sao Paulo en 1953.

El objetivo de este cambio fue lograr una pintura de relieves, orográfica, recreándose en la presentación de texturas rugosas, porosas o granulosas (matéricas en definitiva) que contrastasen con superficies lisas.

En cuanto a la temática de sus obras aparecen diversos símbolos pertenecientes al campo de la sexualidad, del universo o de la muerte. Tápies tiene una trayectoria artística muy amplia y muy reconocida -son muchos los premios que este pintor catalán recibió- por lo que tiene una inmensa y destacada obra.

En sus obras aparecen composiciones con figuras geométricas, más o menos difuminadas o distorsionadas, como el óvalo (óvalo blanco, 1957), el círculo, el cuadrado (Puerta gris, hacia 1958), más tarde el triángulo (Forma triangular sobre gris, 1961), signos como la cruz, constante a lo largo de su carrera, que puede ser griega, latina, en aspa (Gran equis, 1962), en forma de T, ésta última asociada a la inicial de su apellido, números, letras, entre otros. En este sentido cabe citar Materia negra sobre saco (1960) y Cuerdas entrecruzadas sobre madera (1960).

A partir de 1962 comenzó una etapa en la que integró en la obra objetos cotidianos como cuerdas, platos (Montón de platos, 1970), paja, junto a signos antropomórficos (pie, mano, dedos), como se pudo observar en Blanco con pisadas. Su gama cromática osciló entre el monocromatismo y colorido neutro con predominio de grises, negros, blancos y ocres, y la inclusión de un colorido más vivo, con rojos, naranjas, rosas, amarillos y azules.

A partir de la década de 1970 su obra presentó heterogeneidad estilística y, si bien siguió cultivando el informalismo, a veces mostró una realidad objetual integrada por la presentación de elementos cotidianos, por ejemplo en Materia gris en forma de sombrero.

Tápies es el hombre de las diversas facetas ya que también realizó cerámicas, tapices y esculturas. Entre ellas se encuentra el mosaico de la plaza de Sant Boi de Llobregat en Barcelona y sus esculturas a modo de homenaje a Picasso. También realizó la escultura Nube y silla y calcetín de 18 metros de largo.

 

 
 
 
 lo largo de toda su carrera artística realizó exposiciones en todo el mundo, como por ejemplo: Nueva York, Venecia, Hannover, Copenhague, Lisboa, México, Londres y otros países. Asimos recibió muchos premios, fue nombrado Doctor Honoris Causa por varias Universidades españolas y recibió la Medalla de oro de la Generalitat de Catalunya, ha sido premiado en la Bienal de Sao Paulo, recogió el primer premio del Instituto Carnegie de Pittsburgh. También recibió el Premio de la Unesco y de la Fundación David Bright de Los ángeles.

Antoni Tápies publicó en 1978 el libro "El arte contra la estética" y unos años más tarde el Gobierno francés le concedió el Premio Nacional de Pintura. En 1990 el gran artista inauguró la Fundación Tápies en Barcelona con el objetivo de dar a conocer el arte contemporáneo y exhibir toda su obra artística. Después de la inauguración de esta Fundación, recibió el León de Oro en la Bienal de Venecia en 1993 y el Premio Herbert Boeckl en 1994; y fue elegido, ese mismo año, miembro de la Academia Francesa de Bellas Artes.










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